SIENA, NIPS-CERN, UFJF

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Redes neurais, do neurônio ao fractal


Aula 8: os dados do CERN, múons e massa invariante

04/12/2026. C∴ Chrysthofer A. A. Afonso

O interior do detector CMS aberto: chapas prateadas, uma rede verde, cabos azuis e estruturas vermelhas e laranja

O CMS aberto, no LHC, em 2019. Foto de Simon Waldherr, Wikimedia Commons, CC BY 4.0.

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1 · Revisão

O que ficou das aulas 6 e 7, de memória

1

O que o autograd faz?

2

Por que o PyTorch deu o mesmo resultado que o NumPy?

3

O que acontece com o erro final depois do limiar?

4

Para que servem treino, validação e teste?

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1 · Revisão

O fio do curso, da aula 1 à 10

1

O neurônio e o perceptron

um neurônio desenha uma reta, e nenhuma reta separa o XOR

25/09, presencial

2

Derivada e gradiente

o passo contra a derivada; a taxa grande demais faz o treino divergir

02/10, presencial

3

Matrizes e camadas

duas camadas separam o XOR, com pesos escolhidos à mão

13/11, on-line

4

O Jacobiano

a regra da cadeia com vetores, uma camada de cada vez

13/11, on-line

5

Retropropagação

a regra da cadeia, de trás para a frente, acha os pesos do XOR

13/11, on-line

6

O MNIST em NumPy

um MLP em 70 mil dígitos escritos à mão, com treino, validação e teste

27/11, on-line

7

PyTorch

a biblioteca faz a retropropagação; o erro final contra a taxa

27/11, on-line

8

Os dados do CERN

um MLP estima a massa dos dois múons, conferida pela fórmula

04/12, on-line

9

O fractal e o projeto

a fronteira entre a taxa que converge e a que diverge

04/12, on-line

10

A apresentação

a apresentação do projeto e a revisão do curso inteiro

11/12, on-line

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2 · O LHC, o CMS e o múon

O LHC e o CMS

27 km

a circunferência do LHC, até 175 m abaixo da fronteira entre a França e a Suíça

14 mil t

o CMS, um dos dois detectores de uso geral do LHC: 21 m de comprimento, 15 m de diâmetro

7 TeV

a energia das colisões de prótons de 2010, o ano dos 100 mil eventos desta aula

Acelerador, no curso: a máquina que dá energia às partículas e as faz colidir. Detector: o instrumento que registra o que sai da colisão.

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2 · O LHC, o CMS e o múon

O múon, um elétron 207 vezes mais pesado

105,66 MeV

a massa do múon

≈ 207 ×

a massa do elétron

−1

a carga, igual à do elétron; +1 no antimúon

eV, elétron-volt: a energia de um elétron numa diferença de potencial de 1 volt. MeV, um milhão de eV; GeV, um bilhão; TeV, um trilhão.

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3 · Os dados e a massa invariante

O arquivo: 100.000 eventos com dois múons

coluna

o que é

Type

T, tracker muon; G, global muon

Run, Event

a corrida e o número do evento

E

a energia, em GeV

px, py, pz

as componentes do momento, em GeV

pt

o momento transversal, perpendicular ao feixe

eta

a pseudorrapidez, que mede o ângulo com o feixe

phi

o ângulo em volta do feixe, em radianos

Q

a carga

M

a massa invariante dos dois múons, em GeV

100.000

eventos, de 2 a 110 GeV

E, px, py, pz, pt, eta, phi e Q para cada múon, 1 e 2. Descrição do registro 303 do portal de dados abertos do CERN, CC0.

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3 · Os dados e a massa invariante

pt, eta e phi: a direção do múon

De lado, o múon sai da colisão num ângulo com o feixe, e o momento se divide numa parte ao longo do feixe e outra perpendicular; um leque mostra as linhas de eta igual a 0, 1, 2 e 3, e a seta gira por elas. De frente, a seta do momento transversal gira em volta do feixe, com o ângulo phi

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3 · Os dados e a massa invariante

Da direção ao momento

senh, o seno hiperbólico: (eˣ − e⁻ˣ)/2

O múon 1 do evento 3

pela conta

no arquivo

px

−0,2488

−0,24877

py

4,0834

4,08338

pz

6,5251

6,52511

Com a massa do múon, 0,10566 GeV, a fórmula da massa bate com a coluna M nos 100 mil eventos.

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3 · Os dados e a massa invariante

A massa invariante

|p|, o módulo: o tamanho do vetor momento

Energia, momento e massa em GeV, com a velocidade da luz igual a 1.

Massa invariante: a massa da partícula que se desfez nos dois múons. Não depende de quem mede.

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3 · Os dados e a massa invariante

Um evento, à mão: o evento 3 do arquivo

E

px

py

pz

múon 1

7,70222

−0,24877

4,08338

6,52511

múon 2

6,90202

−3,02439

3,75129

4,94041

soma

14,60424

−3,27316

7,83467

11,46552

Energia e momento em GeV. O momento se soma componente a componente.

A coluna M diz 3,11929. A massa sai da diferença de dois números grandes.

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3 · Os dados e a massa invariante

A massa não depende de quem mede

Um J/psi parado se desfaz em dois múons, um para cada lado; ao lado, as duas energias, o tamanho da soma dos momentos e a massa, 3,097 GeV. O J/psi passa a andar, as setas e as energias mudam, e a massa continua 3,097; os múons saem em outro ângulo, e a massa é a mesma

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3 · Os dados e a massa invariante

A fórmula confere com o arquivo, quase sempre

99,6%

dos eventos: a fórmula, com E e p do arquivo, bate com a coluna M

413

eventos em que a energia de um múon não combina com o momento

100%

com pt, eta e phi, a fórmula bate em todos

Num dos 413, um múon tem 184 mil GeV: 26 vezes os 7 mil GeV da colisão inteira.

Bater, aqui: diferença relativa menor que 0,1%. Dado real se confere antes de usar.

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3 · Os dados e a massa invariante

Do evento ao histograma

Três eventos do arquivo, um a um, com a conta da massa; cada massa vira um quadrado que cai na sua faixa. Depois, quarenta eventos depressa, e o histograma com 500, 2 mil, 10 mil, 30 mil e 100 mil eventos, com os nomes J/psi, Upsilon e Z sobre os picos

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3 · Os dados e a massa invariante

Os picos são partículas

O histograma da massa invariante dos 100 mil eventos, de 2 a 110 GeV, com um fundo que cai e três picos marcados: J/ψ em 3,0969 GeV, Υ em 9,46 GeV e Z em 91,188 GeV

Sobre o fundo liso, três picos: o J/ψ, o Υ e o Z, cada um uma partícula que se desfez em dois múons.

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3 · Os dados e a massa invariante

Os picos de perto

Os picos do J/ψ, de 2,8 a 3,4 GeV, e do Υ, de 8,8 a 10,6 GeV, em escala linear, com o fundo por baixo; uma seta laranja marca a largura do J/ψ à meia altura, 67 MeV

O pico do J/ψ tem 67 MeV à meia altura. O J/ψ em si tem 93 keV: o resto é o erro de medida do detector.

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4 · De onde vem

O que é cada pico

J/ψ

3,0969 GeV

  • um quark charm e um antiquark charm

vive cerca de

Υ

9,46 GeV

  • um quark bottom e o seu antiquark

vive cerca de

Z

91,188 GeV

  • carrega a força fraca
  • sem carga elétrica

vive cerca de

Méson: um quark e um antiquark. Nenhuma das três chega ao detector: o CMS vê os múons, e a massa invariante mostra a partícula.

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4 · De onde vem

Três picos, três descobertas

1974

O J/ψ, descoberto ao mesmo tempo no SLAC, por Burton Richter, e em Brookhaven, por Samuel Ting.

1977

O Υ, pelo experimento E288 de Leon Lederman, no Fermilab, em pares de múons.

1983

O Z, no CERN, pelos experimentos UA1 e UA2, no colisor SPS.

Fontes: Wikipedia, verbetes “J/psi meson”, “Upsilon meson” e “W and Z bosons”.

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5 · Uma rede aprende a fórmula?

Uma rede aprende a fórmula?

Oito números entram, a energia e o momento de cada múon. Sai a massa. A rede não conhece a fórmula.

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5 · Uma rede aprende a fórmula?

A rede: oito entradas, uma saída

asinh, o arco seno hiperbólico: comprime os números grandes como um logaritmo, sem perder o sinal

O treino

  • 80 mil eventos no treino, 10 mil na validação, 10 mil no teste
  • o Adam, taxa 0,001, lotes de 256, 100 épocas

A compressão, em 30 épocas

10,6% → 3,4%

o erro mediano na validação, sem e com o asinh

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5 · Uma rede aprende a fórmula?

A compressão das entradas

A energia do múon 1 em 300 eventos, numa linha de 0 a 350 GeV: quase todos os pontos perto do zero. Cada ponto desce para a linha de baixo, a do asinh, e se espalha; um leque liga cada valor de cima à sua posição embaixo

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5 · Uma rede aprende a fórmula?

Padronizar, e o logaritmo da massa

≈, aproximadamente igual

μ e σ, a média e o desvio padrão, só do treino

Padronizar

  • cada entrada com média 0 e desvio 1
  • a média e o desvio vêm só do treino
  • o teste não ensina nada à rede

Por que ln M

  • M vai de 2 a 110; ln M, de 0,69 a 4,70
  • o erro quadrático em ln M cobra o erro em porcentagem

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5 · Uma rede aprende a fórmula?

A curva do treino

O erro relativo mediano no treino e na validação, em escala logarítmica, ao longo de 100 épocas: as duas curvas descem juntas de 13% para cerca de 2%, com dentes, e uma linha tracejada marca a época 80

Treino e validação descem juntos: a rede não decora. A melhor época pela validação é a 80, com 1,91%.

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5 · Uma rede aprende a fórmula?

O treino, época a época

Dois mil eventos do teste, a massa da rede contra a da fórmula, em escala logarítmica. Antes do treino, uma faixa horizontal perto de 6 GeV; época a época, os pontos vão para a diagonal, e o erro mediano cai de 61% para 1,9% na época 80

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5 · Uma rede aprende a fórmula?

A rede contra a fórmula

À esquerda, a massa da rede contra a da fórmula, um ponto por evento do teste, em volta da diagonal; à direita, os dois histogramas do teste, com os picos nos dois

No teste: erro relativo mediano de 1,88%, e 90% dos eventos abaixo de 5,26%. A fórmula erra em milionésimos.

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5 · Uma rede aprende a fórmula?

Onde a rede erra

À esquerda, o pico do J/ψ no teste: pela fórmula, alto e estreito; pela rede, mais baixo, mais largo e um pouco à esquerda. À direita, o erro mediano da rede por faixa de massa, perto de 2% em quase todas e 3% no Z, com 46 eventos

A rede borra o pico do J/ψ e erra mais no Z, onde há poucos exemplos: 364 no treino.

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6 · O código

Os dados do CMS, passo a passo

1

dimuon.py lê o arquivo e calcula a fórmula pelos dois caminhos

2

O histograma, com faixas iguais em escala logarítmica

3

mlp_massa.py comprime as entradas e treina a rede

4

A melhor época pela validação, e o teste uma vez

5

Os números em resultados/massa.json, para as figuras

O NumPy que resolve

np.sqrt((E1 + E2)**2

    - (px1 + px2)**2

    - (py1 + py2)**2

    - (pz1 + pz2)**2)

np.histogram(M, bins=bordas)

np.arcsinh(X / 5)

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6 · O código

O treino em PyTorch

mlp_massa.py, o laço do treino

modelo = rede()

opt = torch.optim.Adam(modelo.parameters(), lr=1e-3)

perda_fn = torch.nn.MSELoss()

for epoca in range(1, 101):

    ordem = tre[rng.permutation(len(tre))]

    for k in range(0, len(ordem), 256):

        i = torch.from_numpy(ordem[k:k + 256])

        opt.zero_grad()

        perda = perda_fn(modelo(Xp[i]), yp[i])

        perda.backward()

        opt.step()

1

zero_grad() zera as derivadas do lote anterior

2

A passada para a frente e a perda, o erro quadrático em ln M

3

backward(): a retropropagação da aula 5, sozinha

4

step(): o passo do Adam em cada peso

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6 · O código

O que a entrega pede

O histograma

  • a massa dos 100 mil eventos
  • os picos com o nome e a massa de cada partícula

A rede

  • um teste separado antes do treino
  • o erro relativo mediano contra a fórmula
  • uma figura que compare as duas

Entrega

  • o histograma e o erro da rede
  • uma pergunta sobre o estudo

Extra, opcional: outras entradas, como pt, eta e phi, ou um erro menor no Z.

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7 · Fechamento

Para estudar e entregar

Estudo

  • 3Blue1Brown, “Fractals are typically not self-similar”, 2017
  • Sohl-Dickstein, “Neural network training makes beautiful fractals”, 2024

Entrega

  • o histograma com os picos identificados
  • o erro da rede contra a fórmula
  • uma pergunta sobre o estudo

A seguir

  • aula 9: o fractal da taxa e o projeto
  • aula 10: a apresentação e a revisão

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